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A aventura da fé

  • Mãos Solidárias
  • 25 de mai. de 2024
  • 4 min de leitura

A felicidade do outro


Nascida de uma urgência familiar, a Associação Mãos Solidárias escolheu como lema a frase, ideia de seu patrono Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida: “Descobri que o céu é ver os outros felizes”.


Em novembro de 2017, durante a Celebração Eucarística no distrito de Mato Grosso (Serro /MG), do primeiro dia Mundial dos Pobres, proclamado pelo Papa Francisco ao apresentarmos à comunidade a situação de uma família cuja “casa” tinha sido destruída pelas chuvas, Deus nos deu um indicativo de nossa missão.


Celebrava a Eucaristia o nosso querido e estimado Cônego José Gabriel, na época com 85 anos. A Celebração transcorreu naturalmente. Ao término da celebração, minha esposa e eu decidimos ir rapidamente para outra celebração na comunidade de Pedra Redonda, na esperança de encontrar o pároco Pe. Maurílio a fim de colocá-lo a par da situação. Não foi isso que aconteceu. Lá estava novamente o Cônego José Gabriel. Ficamos desapontados. Achávamos ter perdido a viagem. Mas, para nossa surpresa e espanto, no final da Celebração, após termos falado sobre a situação da família, o santo sacerdote chamou-me até a mesa do altar. Retirou um talão de cheque do bolso. Assinou uma folha e entregou-me com a seguinte recomendação: preencha com o valor de R$500,00 para ajudar a reformar a casa. Fiquei preocupado. Pois, a folha do cheque estava assinada e eu deveria preencher. Na minha consciência de fé, Deus estava nos entregando um cheque assinado: “Deus providebitur” (Deus providenciará). Muita responsabilidade.


A surpresa não parou aí. Depois de alguns dias, na Microlins Serro, minha empresa, o mesmo sacerdote foi fazer alguns trabalhos para o programa da rádio Aranãs, Capelinha / MG. Ele se aproximou de mim e retirou novamente o talão de cheque e pediu que eu preenchesse com outros R$500,00. Ele ainda completou: “o dinheiro atrapalha para ir para o céu, pois pesa muito no caixão”.


Conversando com minha esposa e analisando o contexto da moradia, ficamos angustiados. Tínhamos na mão R$1.000,00. Não podíamos devolver. O talento nos foi entregue. Não podíamos enterrar como diz o Evangelho na parábola dos talentos. Mas para chegar até a “casa” não havia acesso para carro...Para os pedestres era preciso passar por uma pinguela.


Tudo deveria passar pela pinguela. Mas, além do acesso sobre o rio, tínhamos que criar acesso no terreno do sr. Francisco Monteiro, irmão do saudoso ex-prefeito José Monteiro da Cunha Magalhães. Era preciso negociar. Os obstáculos não eram só estes. Para se chegar até à casa, era precisa caminhar entre subidas, descidas e planícies uns 600 metros. Era um teste à nossa fé e determinação. Como chegar lá? Como levar areia, tijolos, cimento, ferragens, madeira, telhas, alimento para a família e equipe de trabalho. Também o dinheiro era insuficiente. Não tínhamos pedreiros e ajudantes. Não sabíamos como fazer. Só tínhamos a fé e R$1.000,00 guardados cuidadosamente no cofre: não podíamos depositar no banco. Ele só tinha valor para a obra. Deus nos testou...Deus nos colocou à prova. No início, tínhamos somente apoio formal dos agentes de saúde da comunidade de Pedra Redonda.


Aos poucos fomos tomando coragem. Começamos a conversar, a buscar alguma saída. Fomos à prefeitura buscar respaldo para a tarefa que Deus nos confiou. Com muito esforço, depois de obter liberação para criar acesso, a prefeitura através do Secretário de Obras Marcelo Ribeiro abriu o acesso até o dia. A intenção era fazer o acesso até à casa da família. Mas, no meio do caminho havia um rio. Tentamos romper mais este obstáculo.


A fé em Deus e o bem do outro implicam colocar em risco nossa fé. A rota para fazer a felicidade da família nos fez ignorar conscientemente os obstáculos. Nem sempre os nossos planos acontecem como nós imaginamos. O início da nossa Associação com “o Mutirão do Bem” é a luz que nos guia, nos encoraja. Nenhum obstáculo deve nos paralisar: o acesso, o dinheiro e o pessoal. Acreditamos e sempre digo: a obra é de Deus. Que Ele mande gente para trabalhar, gente para ajudar, dinheiro para comprar, comunidade para abraçar a causa.


Ele mandou. E costumo brincar: “que Ele, Deus, dê um jeito...se vire”.

Para conhecer o caminho feito até a construção de cada casa, em especial, da primeira casa, entre em nossos projetos. Pare...olhe...reflita...reze: essa obra é mesmo de Deus? Ajuda-nos a pensar o que diz São João Crisóstomo: “Se não conseguir ver Cristo, no mendigo na porta da Igreja, jamais o conseguirá ver no cálice”.


Hoje podemos dizer: descobrimos que “o céu é ver os outros felizes”.  Esse slogan move a nossa vida; desinstala-nos; tira-se do comodismo. E como gostaríamos que esse fogo devorasse a todos, que essa luz fulgurante nos ajudasse a perceber com nitidez o Cristo em cada um que sofre. Hoje para nós esse slogan está sofrendo uma substancial mudança. O verbo ver está sendo trocado por fazer: “descobri que o céu é FAZER o outro feliz”. Por que queremos assumir conscientemente a mudança; queremos sair da pura contemplação para, movidos pela fé, partir para a ação. Se o outro não é feliz, queremos FAZER o outro feliz. Hoje, o outro não é definido pelo merecimento, pela ‘santidade’, pelo moralmente e socialmente correto. Hoje, o outro é o que precisa, carece, como dizia Madre Teresa de Calcutá.


A alegria estampada no rosto da família que recebeu a casa desde o alicerce até a entrega formal seja contemplada por todos. Que isso nos mova, nos alegre e nos leve a fazer os outros felizes.


Assim, nasceu o Mutirão do Bem, berço da Associação Filantrópica Mãos Solidárias Dom Luciano Mendes de Almeida. Como nosso patrono, nosso grupo quer promover, defender e cuidar da vida, desde a concepção até a morte natural.


Que Deus nos inspire, nos oriente, nos fortaleça para sempre querer o bem e realizar o bem.

Que a alegria do bem realizado, seja o motor de nossas vidas.


Sonho realizado na entrega da casa em dezembro de 2018. Família feliz: sonho construído com muitas mãos, com muitos corações e muitas orações. Essa mudança nos move, enche-nos de orgulho e alegria, por isso o céu é ver, é fazer os outros felizes.


Junte-se a nós!!!

 
 
 

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